O fim de tarde traz a azáfama das mães que regressam a casa e se o bairro se pintalga de desenho Art Deco nas suas fachadas de rua, é ver as mães desta década com os seus pequenos carros urbanos de cor garrida, divertida, as mães de penteados arrojados na cor e na forma com trajar actual e com filhos de agora, a maternidade é a mesma, assim como a época das casas, o ritmo o dos dias de hoje, mas o layout de vida é de um bairro que se renovou, o meu e eu com ele, que já tinha a minha história.
Enquanto os miúdos fazem os trabalhos de casa, Dvorák toca de fundo, eu enrosco-me numa manta e pouso rosto na almofada, aconchega-me o sono, finalmente sinto-me quebrada.
Hoje comemora-se a liberdade, fruto da acção desses 'alguéns' reconhecida como um bem essencial para a vida de qualquer ser humano, disso eu não duvido, ter direito a escolher o nosso caminho e acreditar no futuro é algo em que sempre vivi, um bem adquirido por consequência desse acto.
Mas a verdade é, que nunca me senti tão presa e com tão pouca esperança neste nosso futuro como país nesta nossa caminhada pelas últimas liberdades instituídas para bem de todos!